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terça-feira, 28 de abril de 2009

Romulo Fróes na Veja e Vejinha SP


DISCOS

NO CHÃO SEM O CHÃO, Romulo Fróes (YB)

• O compositor e cantor Romulo Fróes faz sambas, mas suas criações passam longe do ranço tradicionalista da Lapa, no Rio de Janeiro, ou da Vila Madalena, em São Paulo: quase sempre, ganham elementos de rock, como uma bateria forte e guitarras distorcidas. No Chão sem o Chão é um disco duplo, vendido a preço de álbum simples. Isso porque Fróes interrompeu as gravações do que seria seu terceiro CD. Quando voltou ao estúdio, reaproveitou aquela sessão (que, afinal, havia sido muito boa) e a completou com dezessete novas canções. Fróes é um artista inteligente, de sonoridade particular, que nem mesmo seus poucos recursos vocais prejudicam. As faixas variam entre marchinhas (O que Todo Mundo Quer/Ninguém Liga), baladas (Fui Eu),rocks (Destroços) e faixas experimentais (Sei Lá).

fonte: veja são paulo, edição 29/04/2009 

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Veja São Paulo Recomenda

Show

Divulgação
O cantor e compositor: sonoridade roqueira com pé no samba

ROMULO FRÓES. O cantor e compositor paulistano andava meio incomodado com a etiqueta de sambista que lhe haviam pregado. Seus dois primeiros CDs, Calado (2004) Cão (2006), até encontravam inspiração no gênero, mas Romulo nunca gostou de ser enquadrado em nenhum estilo. No Chão sem o Chão, seu novo disco, embute um esforço de sonoridade mais roqueira, sem deixar de ecoar no samba. Antes de ir para as lojas, o álbum duplo chegou à internet: o próprio artista mandou o material para blogs de compartilhamento de música como estratégia de divulgação. Integram o trabalho canções cheias de delicadeza – entre elas Para Quem Me Quer Assim e Astronauta, com letras dos artistas plásticos Clima e Nuno Ramos, respectivamente. Na noite de quinta (30), no Teatro do Sesc Pompeia, seis instrumentistas acompanham Romulo Fróes, que recebe três convidados: as cantoras Mariana Aydar e Nina Becker mais o pianista André Mehmari.

fonte: veja são paulo, edição 29/04/2009

domingo, 26 de abril de 2009

Curumin @ Miami Herald

Tá com o inglês afiado? Então vale a pena ler essa entrevista que o Curumin deu para o Miami Herald

Por Rayme Samuels

Street savy Curumin represents the musical diversity of Brazil’s biggest city everywhere he goes. Check out the Sao Paulo native’s show with Aterciopelados at the North Beach Bandshell on Friday, April 17th.

So what do you think of Miami?
Beautiful beaches, lots of Latin influences, lots of parties. This last time was during the Winter Music Conference, and we did two shows but there were not [many] people to see us there. It was one of our first times. Now, I hope to see more people. All dancing in their bikinis.

You've been touring in North America since 2005. What is the biggest difference between performing in the US and performing in Brazil?
Outside Brazil some people already have a stereotype about the Brazilians. Carnival, samba, soccer, favela, beaches... And sometimes I feel the people watching me and seeing "that Brazilian guy." This is not a problem at all, I'm proud to be Brazilian. It's just that I don't want to be exactly what the people are expecting- I want to be what I am.

How would you describe your sound?
I don't know how to describe my sound! I feel that is in the evolution and changes of the samba. Maybe we can call it Mutant Samba? I don't know...I am still looking for a way to describe it.

Your latest album JapanPopShow is such a huge international hit. Why do you think people enjoy it so much?

I don't know why, and I don't know if I want to know why. There's some mystery in music that I prefer to be preserved as an unknown thing.

What are your plans for the future?
About the future, it's not that clear for me, but I have met so many great musicians that I want to make music with, and have fun with. Let's see.

terça-feira, 31 de março de 2009

"Soco na mesmice", Romulo Fróes na capa da Ilustrada

Nosso Romulo é capa da Ilustrada de hoje com uma ótima matéria do Marcus Preto.

Soco na mesmice


Em álbum duplo surpreendente, Romulo Fróes une guitarras às letras dos artistas plásticos Clima e Nuno Ramos, com referências que vão do samba ao tropicalismo

Leonardo Wen/Folha Imagem

O músico Romulo Fróes, 38, autor de ‘Calado’ (2004) e ‘Cão’ (2006), lança agora o CD duplo ‘No Chão sem o Chão’, com participações de músicos como André Mehmari, Bocato e Lanny Gordin

MARCUS PRETO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Romulo Fróes, 38, nunca se ouviu no rádio. Espera o dia em que, andando na rua, vá escutar ao acaso a própria voz saindo das caixas de som de alguma loja, dentro da programação normal das emissoras. Apesar disso, "No Chão sem o Chão", CD duplo que ele lança agora, não gasta nenhum dos seus quase 120 minutos tentando facilitar esse caminho. Ao contrário.
Nada em suas 33 faixas segue as "fórmulas infalíveis" das paradas de sucesso. Ao mesmo tempo em que constrói um dos álbuns mais ousados da música brasileira recente, o autor dos já certeiros "Calado" (2004) e "Cão" (2006) dá um salto artístico particular inacreditável. "Este [novo] disco foi muito influenciado por situações de shows. Como eu tinha que ser ouvido no palco, pluguei a guitarra. Pelo mesmo motivo, os caras do samba que me acompanhavam antes começaram a não ficar mais a fim de tocar comigo. E os do rock se aproximaram."
Não só os roqueiros. Artistas de várias escolas comparecem no CD, como, entre outros, o pianista André Mehmari, o guitarrista Lanny Gordin, o trompetista Bocato, as pastoras da Velha Guarda da Nenê de Vila Matilde, as cantoras Mariana Aydar e Andreia Dias. O álbum, aliás, torna mais impalpável a linha entre o Romulo sambista e o Romulo indie, espécie de dupla personalidade apontada pela crítica em trabalhos anteriores. Ele próprio renega os rótulos. "Isso de sambista pegou mal. Não tenho nada a ver com resgate de samba de raiz e acharam que eu fazia parte disso", conta. "Por outro lado, essa noção mais comum de artista indie também não combina comigo", continua. "Todas as minhas influências musicais vêm de dentro do Brasil, de coisas que já foram feitas aqui. O Radiohead não me ensinou absolutamente nada. Nem o Joy Division, que eu amo, nem o New Order."

Estranheza
De todo modo, "No Chão Sem o Chão" tem menos chances de ser enquadrado na prateleira do samba que na do rock. "Eu tinha composto uns sambinhas tristes, e os caras colocaram guitarra, baixo e bateria", diz, referindo-se aos músicos Guilherme Held, Fabio Sá e Curumin. "São arranjos de banda em músicas que não foram pensadas praquilo. Tem uns solos que parecem não ter muita função, umas guitarras que não acabam mais. Essa coisa estranha me influenciou na composição das outras músicas." E a estranheza do trabalho não está apenas em seu instrumental. As letras, dos artistas plásticos Clima e Nuno Ramos, colaboram muito para essa sensação. Quase sempre herméticas, fazem referências ao samba clássico de Monsueto a Nelson Cavaquinho e até ao tropicalismo. Dá para notar que os letristas jamais entregam o sentido exato do que querem dizer. Como se estivessem pintando telas, preferem deixar que as palavras sugiram imagens ao ouvinte. Como Fróes, eles parecem não se importar muito com o que vão pensar as estações de rádio.

NO CHÃO SEM O CHÃO
Artista: Romulo Fróes
Lançamento: YB
Quanto: R$ 25 (álbum duplo)
Avaliação: ótimo

Músico liberou novo álbum para download

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Um mês antes de chegar às lojas em sua versão física, o disco "No Chão sem o Chão" já estava disponível para download gratuito em vários blogs dedicados a música brasileira. O álbum, no entanto, não vazou. Foi espalhado propositalmente por seu próprio autor.
"Para viver de música hoje, eu preciso de um público que queira me ver ao vivo. Para chegar a isso, preciso espalhar meu som", avalia Romulo Fróes. "Rádio e TV não fazem isso. Tenho que aproveitar que a internet faz. É minha única aliada."
Segundo Fulano Sicrano, pseudônimo do responsável pelo blog de downloads Um que Tenha (www.umquetenha.blogspot.com), os dois volumes de "No Chão sem o Chão" já foram baixados mais de 800 vezes apenas em seu blog.
Romulo diz não temer que os downloads gratuitos se revertam em queda na venda de seu novo discos. "Posso até vender mais, pois meu nome vai circular. Vai ter gente que baixou o disco, gostou, vai me ver ao vivo por isso e compra o CD no show", diz. "Nunca um disco meu rendeu tanto comentário antes mesmo de ser lançado, e isso comprova que esses blogs são a melhor forma de um artista nas minhas condições divulgar sua música", justifica. "Além do mais, disco já não é um objeto comercial nem para o Roberto Carlos. Imagina pra mim."

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Música e Publicidade

Matéria de hoje na Folha de S. Paulo:

A alma do negócio

Com crise da indústria fonográfica, artistas como Santogold e a dupla Groove Armada gravam músicas ou mesmo discos por encomenda de empresas

THIAGO NEY
DA REPORTAGEM LOCAL

A propaganda é a alma do negócio, alardeia a surrada máxima. Enfraquecida por uma crise que a corrói há anos, a indústria fonográfica vende sua alma -a música- à publicidade.
Há anos a música é utilizada para agregar valor a um produto ou serviço. Mas, hoje, em um mundo em que se encontra música de graça em qualquer blog ou site, ficou complicado para um artista ganhar a sua parte. A solução encontrada por muitos foi o marketing.
Um exemplo dessa nova ordem ocorreu na semana passada, no Midem, a feira da indústria fonográfica, em Cannes. Em geral não se veem artistas nas mesas de conversas do Midem. Mas Andy Cato, do Groove Armada, estava lá -para explicar a parceria entre a dupla inglesa, que já fez megahits como "Superstilyn", e a Bacardi.
O Groove Armada já lançou sete discos de estúdio. No ano passado, rompeu com a gigante Sony BMG e assinou um contrato de 12 meses com a empresa de bebidas. Por esse contrato, o GA excursiona pelo mundo em 25 eventos da companhia e acaba de soltar um EP de quatro faixas, que podem ser baixadas gratuitamente por um site criado pela empresa (www.bliveshare.com).
No dia 2 de março, o Groove Armada lança o EP no formato físico, e os downloads gratuitos serão suspensos. "Queríamos abraçar o fato de que há música gratuita por aí, mas dar a ela algum tipo de valor", disse Andy Cato, durante o Midem.

Strokes e tênis
No final de 2008, uma reportagem do "New York Times" jogava luz sobre o fato de a novata vocalista Santogold ter licenciado oito faixas de seu álbum de estreia para publicidade e games. Algo que já havia sido feito por Moby -todas as músicas do disco "Play" (1999) foram vendidas para publicidade.
A mesma Santogold estrela um comercial da Converse ao lado de Julian Casablancas (dos Strokes) e do superprodutor Pharrell Williams. Eles não apenas estrelaram o anúncio como fizeram uma música ("My Drive Thru") especialmente para a marca de tênis -o vídeo se tornou hit no YouTube.
"Com as verbas que têm, as empresas conseguem convencer artistas a criarem trabalhos especiais", afirma Manir Fadel, diretor de criação da agência Lew'Lara/TBWA. Ele exemplifica: "Fizemos um comercial para a Tim com um menino dentro de um carro e gotas de chuva escorrendo. Compramos uma música de uma dupla desconhecida, Herbatta. O comercial ficou melhor do que se tivéssemos composto a trilha. E ela ficou conhecida. Muita gente foi no YouTube para descobrir quem havia feito a música."
Enquanto alguns veem essa ligação entre música e publicidade como nefasta (a música perderia valor artístico), o veterano produtor Pena Schmidt mostra-se a favor da união.
"É uma oportunidade. É significativo em termos de dinheiro", diz. "Outro ponto é a visibilidade [que gera para o artista]. Qualquer artista luta muito por isso hoje. É algo que acrescenta valor à obra do cara. De alguma forma, ele está sendo reconhecido. Isso não pode ser ruim."
É mais ou menos a opinião de Seu Jorge, que em 2007 compôs uma canção, "Eterna Magia", para a cachaça Sagatiba. A música entrou no álbum "América Brasil". A empresa pagou não apenas pela música mas bancou a turnê do músico. "Isso é negócio, é business", argumentou Seu Jorge, à época.
"É uma das formas de ter sua música ouvida. Os artistas seriam estúpidos se não aproveitassem", diz Santogold.

Para especialista, anúncio não diminui o valor dos músicos


DA REPORTAGEM LOCAL

Do ponto de vista publicitário, a associação com um artista é normalmente bem-sucedida.
"Chama-se um artista de peso para criar uma música nova especificamente para aquele propósito. Isso é muito bom, porque você integra o artista à marca", afirma Manir Fadel, diretor de criação da agência Lew'Lara/TBWA.
Mas faz uma ressalva: "Muitas vezes gastamos uma grana enorme para comprar uma música, e ela se torna maior do que o comercial. As pessoas acabam não se lembrando do produto. Isso acontece direto".
Desde que a publicidade existe, ela utiliza músicas para vender produtos. No mercado brasileiro, são exemplos desde os Mutantes/Shell até Mallu Magalhães/Vivo -artistas que emprestam canções a marcas.
O que é novidade no cenário são os comissionamentos que as empresas pagam aos artistas para que eles criem canções especialmente para anúncios publicitários.
"O Tejo, do Instituto, fez uma campanha grande da Brasil Telecom, criando a música-tema do comercial", conta Mauricio Tagliari, do selo Y/B Music. "Mas ninguém pediu a ele que fizesse um jingle. Deram liberdade ao Tejo. Isso não avilta em nada o artista."
Tagliari cita os casos de Céu, Luciana Mello e Mônica Salmaso, que já cantaram jingles para campanhas publicitárias. "Mas elas não estavam no estágio em que estão agora. Hoje, provavelmente, só fariam se pagassem uma grana alta." Grana que pode chegar a R$ 200 mil, dependendo do anúncio. (TN)